Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2024
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Fitch Mantém ‘Rating’ de Moçambique em CCC+. O Que Significa Isso?

by Bernardo Mabjaia
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Fonte: Diário económico

agência de notação financeira Fitch Ratings decidiu esta sexta-feira, 9 de Fevereiro, manter o ‘rating’ de Moçambique em CCC+, três níveis acima do incumprimento, mas ainda abaixo da recomendação de investimento, considerando que continuam a existir “riscos substanciais de crédito”.

Os analistas escrevem na nota que o ‘rating’ de Moçambique “reflecte os elevados níveis de dívida pública, a fraca gestão das finanças públicas, o baixo PIB per capita, finanças externas fracas, fracos indicadores de governação e uma situação de segurança desafiante”.

No anúncio da decisão, a Fitch Ratings escreve, por outro lado, que “as robustas perspectivas de crescimento a médio prazo, apoiadas pelo desenvolvimento do sector do gás natural liquefeito, o acordo de 456 milhões de dólares (423 milhões de euros) com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2022 e a natureza concessional da dívida pública externa, com baixos custos do serviço de dívida, dão algum sustento à credibilidade do crédito”.

A Fitch não atribui uma perspectiva de evolução da economia, conhecida como ‘outlook’, a países que têm um rating de CCC’, o terceiro acima do Incumprimento Financeiro, ou ‘default’.

Na análise, a Fitch diz esperar um crescimento económico “forte relativamente aos pares” com o mesmo ‘rating’, antecipando uma média de 4,5% neste e no próximo ano, que compara com uma expansão de 5,9% no ano passado.

“O forte crescimento de 2023 foi motivado pela expansão da produção na plataforma flutuante Coral Sul, da Eni, que começou a produção no final de 2022 e chegou a 90% da capacidade no terceiro trimestre do ano passado”, explica a Fitch, acrescentando que o regresso da TotalEnergies a Cabo Delgado terá um efeito positivo no crescimento da economia moçambicana já este ano.

O que são e para que servem os ratings?

Os ratings são uma avaliação de risco de crédito atribuída por agências de notação financeira – conhecidas por agências de rating – e avaliam o risco de países e empresas, influenciando as economias mundiais de forma decisiva.

Por serem determinantes na tomada de decisão dos investidores, importa saber o que são, para que servem e qual o seu impacto.

No momento de avaliar o risco de crédito de um país, de uma empresa ou de um produto financeiro, é atribuído um rating (notação) através do qual é avaliada a capacidade de uma entidade, que emite dívida, pagar de volta o valor que lhe foi emprestado, acrescido de juros.

Na prática, o que se está a fazer é informar os investidores do risco do seu investimento e, sobretudo, da probabilidade de conseguirem recuperar o seu dinheiro.

Como se trata de uma avaliação, quanto pior for o rating, maior será o risco associado ao investimento e, por essa razão, maior será a remuneração que os investidores vão querer receber em troca. Em termos práticos, quanto mais baixa for a notação, maior será a taxa de juro e os custos que um país ou uma empresa terão de pagar para se financiar.

Neste sentido, o rating tem uma relação directa com as taxas de juro a que um país ou que uma empresa consegue obter financiamento, pelo que o seu impacto, em termos de dívida pública e financiamento da economia de um país ou de uma empresa, é muito grande.

As agências de rating

Estas avaliações de risco de crédito são atribuídas por agências de rating. As principais são as norte-americanas Fitch, Moody’s, Standard & Poor’s, e a canadiana DBRS.

Finanças públicas, estabilidade social e política, indicadores financeiros, capacidade de gestão e organização interna são alguns dos parâmetros analisados pelas agências no processo de atribuírem as suas notações.

Apesar de cada agência de rating ter a sua própria escala, todas as classificações são atribuídas sob a forma de letras que podem, ou não, ser acompanhadas de sinais (+ e -), sendo ainda atribuída uma perspectiva futura de evolução (outlook) do rating. Embora exista uma calendarização, esta é meramente indicativa, uma vez que as agências podem optar por não se pronunciar nas datas previstas ou, inclusive, avançarem com uma avaliação não calendarizada.

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