Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024
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Jacob Zuma pede donativos para pagar despesas judiciais

by José Nhambirre
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Jacob Zuma pede donativos para pagar despesas judiciais

O ex-Presidente sul-africano Jacob Zuma, preso em julho passado por desrespeito ao tribunal, depois de se recusar a prestar declarações sobre acusações de corrupção, pediu hoje ajuda para pagar as despesas com a justiça.

“Caros povos da África do Sul e do mundo, por favor, deem uma mão”, diz a Fundação Jacob Zuma, numa mensagem divulgada nas redes sociais, em que ao lado tem uma foto em que indica que está “humildemente” a pedir “donativos” para ajudar a colmatar os custos judiciais do patrono da organização.

Implicado em numerosas investigações, por corrupção e outros crimes, e hospitalizado desde o início deste mês, Zuma acumulou uma elevada despesa com advogados e custos judiciais, especialmente desde que o poder judiciário, em finais de 2018, impediu que uma grande parte destes fosse suportada pelo Estado.

O ex-Presidente sul-africano (2009-2018) não só está no centro de vários escândalos de corrupção, mas também, uma vez que foi forçado pelo seu próprio partido a demitir-se do cargo de líder do executivo sul-africano (em 2018), a sua estratégia habitual de defesa consistiu em procurar, através de todos os canais legais disponíveis, atrasar os vários processos e investigações, o que aumenta ainda mais as suas despesas.

Zuma está atualmente a cumprir uma pena de 15 meses de prisão, no estabelecimento prisional do Estcourt (no leste do país), por desrespeito ao tribunal, por se ter recusado repetidamente a prestar declarações no decurso das investigações sobre corrupção, no âmbito famoso caso “State Capture” (Captura do Estado).

Neste caso, é acusado de estar no centro de um esquema corrupto, que percorreu todo o aparelho público sul-africano durante o seu Governo, orquestrado para beneficiar-se a si próprio e a outros altos funcionários e parceiros comerciais.

Além disso, está em julgamento por corrupção e outras acusações relacionadas com um negócio fraudulento de armas, assinado no final dos anos 1990.

Após dois anos de procedimentos preliminares, o julgamento aguarda agora pelo resultado de uma nova moção de defesa a recusar o procurador atribuído ao caso.

Zuma, por seu lado, afirma que todas as acusações contra ele têm uma motivação política.

Em 06 de agosto, após um exame “de rotina”, Zuma, de 79 anos, foi internado num hospital fora da prisão, o que levou a um novo adiamento do julgamento sobre o negócio de armas, marcado para 10 de agosto.

Numa carta enviada à prisão e à acusação a solicitar o adiamento, a equipa médica do ex-Presidente disse que Zuma sofreu uma “lesão traumática” no ano passado e precisa agora de “tratamento de emergência extensivo”, durante pelo menos seis meses.

A carta não especificava, contudo, o estado de saúde de Zuma, embora as autoridades prisionais sul-africanas tenham confirmado que foi operado em 14 de agosto e que tinha outras cirurgias programadas para datas posteriores.

Além dos casos, o ex-presidente já teve de reembolsar, em 2016, meio milhão de euros de dinheiro público que tinha utilizado irregularmente quando ainda era Presidente, para renovar a sua residência privada.

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